
Saúde Mental no Trabalho: Empresas correm contra o tempo para se adequar à nova fiscalização da NR-1
Compartilhar este artigo
O cenário da segurança do trabalho no Brasil passa por uma transformação histórica em 2026. Em entrevista concedida hoje, 20 de março, ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, os técnicos em segurança do trabalho Maicon Bernini e Gustavo Henrique Carneiro, da clínica Advice, trouxeram um alerta importante para o setor corporativo: a urgência na gestão dos riscos psicossociais.
Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece as diretrizes gerais de saúde e segurança, o foco das inspeções mudou. Agora, fatores como estresse excessivo, assédio, sobrecarga mental e ritmo de trabalho exaustivo precisam estar obrigatoriamente mapeados no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos).
O fim do “prazo de cortesia”
Durante a conversa, os especialistas da Advice destacaram que o período educativo está chegando ao fim. A partir de maio de 2026, a Auditoria-Fiscal do Trabalho passará a autuar com rigor as empresas que não apresentarem evidências concretas de como estão monitorando e mitigando os riscos à saúde mental de seus colaboradores.
” A NR-1 exige método, diagnóstico e planos de ação estruturados. As empresas precisam estar extremamente atentas, porque a fiscalização da NR-1 não é mais sobre papelada, é sobre evidência. Não adianta mais ter um documento de gaveta; ou a empresa entende agora que o risco psicossocial é parte da segurança operacional, ou ela terá problemas graves com autuações e afastamentos que poderiam ter sido evitados.”, pontuaram os técnicos.
As empresas estão preparadas? A grande dúvida levantada na entrevista é a capacidade de adaptação das organizações.
Segundo Maicon e Gustavo, o maior desafio não é apenas documental, mas cultural. Identificar fatores psicossociais exige uma escuta ativa e ferramentas técnicas que muitas empresas ainda não dominam.
A negligência pode custar caro: além das multas administrativas, o descumprimento da norma aumenta o passivo trabalhista e impacta diretamente a produtividade, já que o adoecimento mental é hoje uma das principais causas de afastamento pelo INSS.
O que deve ser feito agora?
Para evitar sanções, as empresas devem revisar seus inventários de riscos e incluir:
* Avaliação de carga de trabalho: Análise de metas e ritmos.
* Suporte organizacional: Como a liderança lida com os conflitos.
* Ambiente psicossocial: Prevenção contra violência e assédio.
A mensagem deixada pelos especialistas no Jornal da Manhã é clara: a saúde mental saiu do RH e entrou definitivamente na pauta da segurança do trabalho. As empresas que não se adequarem agora estarão expostas a riscos que vão muito além do financeiro.

